PADRE PACUAL CHÁVEZ - Reitor-Mor dos Salesianos de Dom Bosco ao SISTEMA DE COMUNICAÇÃO (SC)!
O NOSSO NOVO PÁTIO!!!
A nova situação da cultura da comunicação oferece possibilidades inéditas de educação e
evangelização. A comunicação social, hoje, é o caminho obrigatório para a difusão da
cultura e dos modelos de vida. É parte significativa da experiência juvenil. (CDM 19)
CEM MANEIRAS DE COMUNICAR
Grande forjador de ambientes educativos / evangelizadores, Dom Bosco, soube intuir a bondade e
a força das linguagens da comunicação para incidir de modo original e eficaz sobre os jovens. Soube tocar as fibras do coração. Era não só um evangelizador/educador, como também um comunicador nato. A ecologia comunicativa inventada por Dom Bosco propunha-se a clara finalidade que um
dos meus predecessores, padre Egídio Viganò, definiu de forma lapidar: educar evangelizando, evangelizar educando, entrelaçamento inseparável na missão salesiana. Ele conseguia tirar o melhor dos jovens fazendo deles protagonistas da própria educação, e o melhor dos educadores/evangelizadores fazendo deles testemunhas do evangelho e animadores da rica
epifania juvenil. No oratório, um grande leque de propostas comunicativas tocava a vida de tantos jovens "pobres e abandonados" que vinham dos vales a Turim. Casa, escola, catecismo, missa, trabalho, banda de música, teatro, excursões, jogos, oficinas, boas-noites, narrações de sonhos, pregações, palavrinhas ao ouvido, bilhetinhos com mensagens personalizadas etc. comunicavam uma cultura, um modo de colocar-se em relação com Deus, com o mundo e com os outros. Esse conjunto abria a vida à esperança, à confiança, ao sentido, quando talvez isso já tivesse sido perdido por alguns. O oratório representava, enfim, uma sólida e bem fundada alternativa cultural.
Dom Bosco, porém, ia mais além. O seu gênio comunicador manifesta-se numa carta veemente da
qual cito um pequeno fragmento: "A difusão dos bons livros é uma das finalidades principais da nossa
Congregação. [...] Por isso, entre os livros que se devem difundir eu proponho que se dê importância àqueles que têm fama de serem bons, morais e religiosos, e devem-se difundir as obras saídas das nossas tipografias [...] Com o Boletim Salesiano, entre as minhas muitas finalidades, tive esta: manter vivo nos jovenzinhos que retornam às suas famílias o amor ao espírito de S. Francisco de Sales e às suas máximas, e eles mesmos serem salvadores de outros jovenzinhos". Dom Bosco Foi, portanto um educador/evangelizador/comunicador. Como escrevi na carta dedicada à Comunicação Social (CS), para os Salesianos a CS fundamenta-se na mesma missão da Igreja, o que exprimimos na paixão por Deus, na paixão pela salvação dos jovens, no "da mihi animas cetera tolle". Por isso, a CS não é algo de externo e, muito menos, de estranho à missão, mas até mesmo nasce dela. Por isso, o Salesiano, como filho de Dom Bosco, é por natureza um evangelizador/educador/comunicador. Somos hoje testemunhas de que os jovens criaram um ambiente próprio, o assim chamado ambiente
digital, um habitat natural no qual se sentem senhores. O fato foi observado inicialmente com desconfiança. É justo reconhecer, porém, que, deixando para trás as eras da pedra e do escalpelo, do papel e da tinta, das paredes e salas, e da escuta passiva, os jovens reclamem linguagens novas, novos métodos e novas maneiras de educação e evangelização. Eles querem ser autores e atores do próprio espaço, da própria linguagem e dos próprios conteúdos, inventam e recriam a própria pessoa e exigem liberdade de navegação e diálogo no ciberespaço. Pois bem, se ali eles estão, ali também nós devemos estar: educando, anunciando, testemunhando. Fora desses espaços e linguagens não somos mais vistos nem ouvidos nem entendidos (fonte: NH - BRE).